Não há machado que corte a raiz ao pensamento!

Quinta-feira, Junho 10, 2004

Apoiar a luta de outros lutando pelo nosso povo


Associação de Solidariedade com Euskal Herria nas comemorações da Revolução do 25 de Abril

Em Abril, no 2º Encontro Internacional de Comités de Solidariedade com o País Basco, tive a oportunidade de ouvir um dirigente de uma organização basca dizer que a maior solidariedade que se pode ter com o povo basco é lutarmos pelo nosso próprio povo. Ouvir estas palavras de quem luta muitas vezes clandestinamente, sob tortura e terrorismo de Estado é uma clara demonstração de humildade e emancipação de um povo habituado a sofrer.

Num país, ocupado por dois Estados, em que se vive um clima de confrontação com partidos, movimentos sociais, jornais e rádios ilegalizados faz-me reflectir sobre a legalidade da luta revolucionária pela superação do sistema capitalista. Em Portugal, a vasta herança do período revolucionário do inicio da década de 70, que ainda não foi destruída pelas forças do capital, e a correlação de forças dentro da luta de classes permite a coexistência legal de um Partido Comunista. Como dizia Marx, e muito bem, as leis e regras que regulamentam uma sociedade são expressas pela classe dominante e, no nosso país, esse poder, que sabemos em que mãos está, tem vindo a modificar uma série de leis que prejudicam directamente a luta revolucionária. A lei dos partidos aprovada pelo PS/PSD/PP demonstram, por um lado, por que classe estão e, por outro, a necessidade crescente de imobilizar o Partido Comunista e a sua influência junto da classe trabalhadora.

No Estado espanhol, a aprovação duma lei dos partidos semelhante pela maioria dos partidos incluindo a Izquierda Unida demonstra para além da cumplicidade, inconsequência e reformismo das forças que compõem a IU, o incómodo que a esquerda independentista basca representa para o Estado e para as classes dominantes.

Uma outra estratégia do capital e dos seus esbirros é o apoio ou a criação de forças políticas que possam fragilizar as forças políticas revolucionárias e atrair a sua base. O apoio e entusiasmo dado pelos media ao Bloco de Esquerda e os financiamentos misteriosos que este conjunto de pequenos partidos recebe demonstra a quem servem. Não querendo obviamente comparar, por serem realidades distintas, importa, por curiosidade, analisar o comportamento do Estado espanhol em relação ao Partido Nacionalista Basco. A quem serve a ilegalização do Batasuna senão a um partido de fachada independentista que para mais é de direita? Aquando da ilegalização do Batasuna apressaram-se a condena-la ao mesmo tempo que se apressaram a apelar ao voto dos votantes da esquerda independentista no PNV.

Não quero aqui comparar o incomparável. Portugal e o País Basco são duas realidades distintas, com processos de luta em patamares diferentes, no entanto, o que acontece com o movimento revolucionário basco poderá acontecer ao movimento português. É o que o capital deseja mas não pode neste momento. Resta-nos saber resistir mantendo a convicção no que acreditamos sem ceder como outros cederam e apoiar a luta de outros lutando pelo nosso povo. Porque assim como a desagregação de um Estado imposto pelo capital, como é o Estado espanhol, poderá contribuir para a derrota do capital no nosso país também o contrário poderá suceder.

Apoiemos a luta do povo basco e de todos os povos que não se rendem!
Gora Euskal Herria askatu!